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Sábado, Abril 25, 2009


Isso deveria ser uma notícia no twitter

mas eu resolvi colocar aqui mesmo. Se alguém ainda não acredita que o niemeyer parou no tempo, que tal esta torre dos jetsons?




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Sexta-feira, Abril 24, 2009


Nunca na escala certa


Muro é só um elemento, não um projeto; já educação também não é um projeto, mas um valor, que sociedades levam mais ou menos tempo para incorporar. Entre a escala concreta limitada do muro, e a escala abstrata dos valores nacionais, em algum lugar estão os projetos urbanos. E, no entanto, essas duas escalas extremas são os únicos pólos desse debate insano, ainda que cotidiano, que é o urbanismo brasileiro.


De um lado, governos que reduzem tudo à escala de seus Q.I.s ( e de seus mandatos): escolhem um de elementos de um projeto, para fazer uma metonímia (lembra?)macabra: ao invés de um parque, só um muro: ao invés de uma política habitacional, só a parte menos importante, o elemento mínimo, que é a casa em si, solta no espaço e no tempo.


Do outro lado, o urbanismo em animação suspensa dos intelectuais: parem o mundo que eles querem subir. Não adianta intervir na favela, multar um bêbado, tomar um picolé; antes tem de se educar o Brasil inteiro – sim, eles fazem a apostila. Nenhuma solução que não for utópica, e absolutamente impossível serve - e em geral, é limitada, preconceituosa, coisa de capitão nascimento mesmo.


Assim, entre os que querem tomar a parte pelo todo, e os que querem tomar o todo pela parte (reparem que é isso), perde-se a escala certa do debate: a da intervenção que é ao mesmo tempo, completa, sem deixar de ser específica: o projeto urbano.



E eis aí a questão: qual porcentagem de arquitetos sabe descrever um processo, com começo meio e fim, de um projeto urbano? De como deveria ser contratado a como deveria ser executado.


Se nem os arquitetos dominam a escala desse debate, imagina o resto da sociedade.





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Terça-feira, Abril 21, 2009



Convido a todos a visitar e "followar" o Twitter oficial do Blog Architecture.

http://www.twitter.com/archblog



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Sexta-feira, Abril 17, 2009


O Muro das Lamentações e uma experiência prática - I



Chegando rigorosamente atrasado na polémica (cheia de pólen?) discussão sobre os muros nas favelas, onde já há algum tempo o Marcão e o Fernando estão tratando do assunto, cada um a sua maneira, pretendo abordar a questão de uma forma um pouco diferente, em dois posts ( pra você tomar coragem).

Há menos de seis meses, concluímos um projeto para a Subprefeitura de Perus, prefeitura de São Paulo. Perus é um mundo a parte da cidade, e a primeira impressão que se tem não é boa. Encravada nos morros ao redor da antiga fabrica de cimento homônima (há tempos desativada e séria concorrente na categoria um dia-vira-museu), trata-se de uma rede de favelas, razoavelmente distintas entre si, a partir da qual se entrincheiraram um rasgo de urbanização, com a sub-prefeitura citada, um CEU, um centrinho de comércio e serviços.

Perus também abriga o Aterro dos Bandeirantes, para quem não sabe é o 1 de 2 aterros que recebe lixo mais capitalista do Brasil. É bom de ver no Google maps:


Exibir mapa ampliado

Mas desde que se instituíram os créditos de carbono, o que era um grande ônus para o lugar passou a ser o principal bônus: um sistema que transforma lixo em energia (thanks, Doc Emmet Brown!) passou a gerar divisas na casa dos milhões de dólares para a região. Essa grana passou a converter-se em projetos urbanos, como a configuração de mega-parques e a instalação de praças nas comunidades, isto é, nas favelas.

Aí a gente entra. (nós, URDI, você leitor). Ganhamos a concorrência para projetar 10 praças, espalhadas pela sub, e retomando o ponto de onde a primeira vista não é boa, conhecer o problema por dentro é assustador – e instigante.

Na pratica, “conhecer por dentro” significou reunir cada uma das 10 comunidades a receber as praças (isto é, bater na porta de um por um e marcar uma reunião coletiva) - e escutar. E cada comunidade tem sua história, e suas estórias

Sabe aquela estória de que os esquimós percebem 17 tonalidades de branco? Bom, para nós hoje Perus tem 10 tonalidades de favela. A palavra “favela” na verdade não significa mais muita coisa para nós.

Qual favela?




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O Muro das Lamentações e uma experiência prática - I I







As comunidades de Perus que faziam parte do projeto tinham muitas coisas em comum:

1.Os primeiros moradores ocuparam os terrenos há mais de trinta anos, quando não havia Perus no mapa. Grande parte trabalha na São Paulo que já estava no mapa trinta anos atrás;

2.Todos, literalmente todos pedem como primeiro item das praças, um posto policial. Não só isto está fora do alcance do nosso projeto, é obvio, como seria inviável e suicida – seria um playground de tiro ao alvo para traficantes, em várias das comunidades. O fato é: a insegurança impera, e a grande maioria dos moradores quer ser policiado é pela polícia, e não pelo tráfico.

3.As áreas destinadas a receber as praças se enquadravam em uma das seguintes alternativas: eram praças abandonadas há décadas, ou eram terrenos que sobraram no loteamento maluco das favelas, ou eram lindeiros a limites físicos – córregos, barrancos, etc. , que impossibilitavam a ocupação. Uma coisa era comum: todos os terrenos eram pontos de tráfico e consumo de drogas

4.Isso fazia com que os moradores tivessem medo de simplesmente ir até o terreno fazer a reunião; e todos eles queriam evitar que as praças fossem rotas de fuga dos criminosos quando a polícia enfim atendia um chamado. Queriam visibilidade, queriam, legibilidade, queriam....muros. Muros que restringissem as rotas de fuga.

5.Outra coisa marcante foi que essas praças não existiriam sem o desejo intenso da comunidade de receber urbanização. A foto que abre este segundo post é de uma mini praça instalada em um terreno que foi preservado, a duras penas, pelos próprios moradores, de ser ocupado. Como? Plantaram árvores até não mais poder, até não nascer mais grama, com a esperança de que um daí virasse uma praça. Está virando.

Essas pessoas moram em um lugar infernal, onde o caminhão de lixo não chega, onde os medidores de água tem medo de entrar, e onde eles mesmo tem medo de sair.

Urbanisticamente, eles não têm nada com que se alegrar. A grande maioria são trabalhadores, que tem consciência de porque é assim – ocuparam e urbanizaram a seu modo, e arcam com as conseqüência que isso trouxe. Aceitam de bom grado qualquer melhoria que seus bairros venham a receber. Trazer uma alternativa de lazer e convívio para perto de suas casas é o papel dessas praças.

O conhecimento do problema de perto pra mim desmistifica grande parte dessa discussão de muros, diques, etc. Esses moradores não querem esse Governo de Programa, onde não há urbanização, há sorteio de casas na Lua; não querem o Bope, querem a policia; não querem subsidio, querem que recolham o lixo.

Não querem um muro contra o crescimento da favela, querem uma praça inteira, para garantir mesmo que não cresça. E se um muro depois dela ajudar no complexo problema da segurança para quem é não apenas morador da periferia, mas brasileiro, tanto melhor.


PS: quem quiser ver mais imagens do projeto, tem no site da URDI.



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Segunda-feira, Abril 13, 2009



Ente a casa e a rua



No seu livro A Casa e a Rua, o antropólogo Roberto DaMatta estabeleceu as duas formas básicas como nós brasileiros percebemos o mundo. Ou estamos em casa, reinando absolutos sobre nossas vontades – e sobre o controle remoto – ou estamos “na rua” onde enfrentamos esse conjunto de eventos e pessoas que algum desavisado em antropologia há de chamar de vida – social e profissional.

Essa experiência cotidiana de pular entre a casa e o trabalho – encaixando um cineminha aqui, um restaurante ali, e um bom parque no fim de semana – pressupõe uma transição, uma passagem obrigatória pelos espaços entre os destinos públicos e privados. Esses espaços, na prática – as calçadas, os largos e praças que permeiam os grandes volumes cheios de gente – são a essência da cidade, o fator de coesão entre tantos edifícios diferentes e, não nos esqueçamos, o que os torna minimamente fotogênicos. É possível imaginar a cidade sem um “lado de fora”?

Não por acaso, os shopping centers têm ganho status a ponto de se pretender um terceiro elemento entre os edifícios e a rua. A estratégia é irônica: seus projetos apostam justamente na reprodução do mito da cidade, aquele lugar civilizado onde é possível o passeio agradável entre o café e o cinema, entre o restaurante e a praça – e ainda com escada rolante e ar condicionado de brinde.

O resultado, entretanto, é apenas cômico – a tentativa de reeditar a variedade natural da cidade geralmente resulta em um denso labirinto de lojas e serviços coloridos caleidoscopicamente até o limiar preciso da dor de cabeça. Claro, não há nada mais tedioso que um labirinto manjado. E o que atrai na cidade é justamente o fato de que todos os caminhos são validos – e certamente não terminam em uma cancela de estacionamento pago.


Mas se a experiência simulada dos shoppings está longe de reproduzir a riqueza de um passeio pela cidade, porque ele tem se sobressaído com vantagem sobre o nosso tecido urbano tradicional?


Infelizmente, a rua ainda nos massacra. Não apenas a rua dos antropólogos, aquele espaço mental onde somos lançados para enfrentar o mundo, mas também a rua dos arquitetos, onde transitar já é uma batalha em si mesma. Nada de passeio idílico ao pôr-do-sol por aqui. O buraco é mais embaixo – e mais a frente, e outro logo ali, cuidado.


Enquanto os espaços livres não forem levados tão a sério quanto os próprios edifícios, vai ser difícil mudar essa percepção. Tudo começa com uma boa calçada – que é, afinal, o principal meio de transporte de qualquer cidade. Corretamente arborizada, com lixeiras e obstáculos enfileirados não à frente, mas ao lado da área de circulação; elas poderiam liberar os pedestres do jogo da amarelinha compulsório para atividades mais contemplativas – não apenas os prédios interessantes ao redor, mas também as pessoas saindo deles, porque não?


Isso seria só o começo. Todo largo é uma sala de bate-papo em potencial, cada praça tem a sua vocação – das práticas esportivas a simples contemplação - e muitas ruas poderiam repensar suas pinturas de guerra para acolher, quem sabe, uma ciclovia. A cidade é uma só, afinal, e a rua não precisa ser necessariamente o contraponto da casa – ela poder ser também a sua extensão.


Publicado na Revista da Folha de ontem.



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Quinta-feira, Abril 09, 2009





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