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Terça-feira, Outubro 30, 2007







Em mais uma típica fábula sobre as grandes ciências modernas, o Urbanismo da segunda metade do século XX ficou marcado por ter seu livro mais influente escrito por uma senhora que nunca estudou formalmente o assunto - e que na verdade estava apenas tentando evitar que seu bairro fosse arrasado por um megaprojeto urbano.

O bairro, o Greenwich Village em Nova York, que até hoje permanece uma das mais charmosas e boêmias vizinhanças da cidade, foi salvo pelas práticas de Jane Jacobs. Suas teorias, no entanto, fizeram muito mais que isso.

"Morte e Vida de Grandes Cidades" foi o primeiro disparo dessa guerra, e também o mais potente; o alvo, a visão modernista (e européia) de urbanismo que se proliferava em solo americano -no caso, a idéia de tornar a cidade uma linha de produção gigantesca, onde atividades cotidianas como morar, trabalhar, estudar e se divertir eram separadas em regiões distintas, interligadas apenas por grandes vias expressas. Visão que a indústria automobilística nunca protestou.

Jacobs, entretanto, sabia que isso era exatamente o que a cidade não precisava: dispersar pessoas e atividades. Ela entendia que quanto maior a diversidade de um bairro, mais pessoas circularia por ele – de preferência a pé, graças a distâncias mais curtas. E era justamente esse dinamismo a qualidade essencial que as ruas deveriam apresentar em uma cidade agradável, segura e bem cuidada.

Essa visão simples e realista de como a cidade funciona só poderia ter sido recebida com o tradicional desdém tecnocrático -no caso, pelo mega-construtor Robert Moses, o encarregado das obras que já vinham mudando a cara de Manhattam há décadas, e cujo prestígio não raramente transcendia o de governantes locais. A batalha do Village foi vencida, sabemos, graças à mobilização da própria comunidade ameaçada. A partir daí, os conceitos de Jacobs sobre a cidade ganharam notoriedade mundial. É claro que você, olhando daí de sua janela para a cidade lá fora está se perguntando: bom, então, o que deu errado?

O fato é que mesmo estando sempre um passo a frente dos planejadores, Jacobs não podia prever a apropriação que suas idéias teriam ao longo do tempo pelos próprios incorporadores urbanos. Defensora da rua como núcleo natural da vida urbana, viu a sua luta pela densidade e diversidade da cidade tradicional tornar-se argumento para a elaboração de vizinhanças completamente artificiais, dispersas e encarceradas em subúrbios de difícil acesso até para carros.

A nossa vida adapta-se sempre à forma dos lugares que habitamos. A cidade onde podemos ir à padaria em uma breve caminhada, com grandes chances de encontrar conhecidos no caminho, pode ser a mesma na qual torna-se cada vez mais (a)palpável nosso sedentarismo diário de congestionamento.

Hoje, centenas de condomínios se distribuem pelas cidades – e pelos semáforos – prometendo uma série de qualidades que não podem entregar: uma "liberdade", que é cassada na hora do rush; uma fugaz “beleza natural”, a ser apreciada rápido, antes que seja ocupada com mais unidades; impenetrável “segurança” – qualidade curiosa para ruas vazias onde não há nada para se fazer.

A tendência dessas comunidades artificiais, onde o único meio de transporte coletivo que você precisa para chegar a um “spa” é o elevador, é de que as pessoas comecem a perceber a esquina não como um espaço de encontro, mas apenas de possíveis colisões. E a cidade, o espaço entre onde você está e para onde você quer ir – mas não a pé, imagina.


Deve ser por isso que a morte vem antes da vida no titulo do livro: para nos dar esperanças de retorno não só de suas teorias, mas também de verdadeiras vizinhanças. De preferência, com vizinhas como a Sra. Jacobs.

° ° °

PS: Publicado na Revista MORAR 5, da Folha de São Paulo, em Setembro.



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Quinta-feira, Outubro 25, 2007




Só eu não sabia que o Kisho Kurokawa morreu?

Preciso ler mais o Alencastro ...



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Segunda-feira, Outubro 15, 2007


Micro Compact Home



sua por apenas 25.000 euros...




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Quarta-feira, Outubro 10, 2007










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Segunda-feira, Outubro 08, 2007


Blogs de Arquitetura

Está circulando pelas caixas postais eletrônicas um e-mail dizendo que a discussão de arquitetura está migrando dos livros e revistas para a internet, em blogs e sites de aficcionados e leigos, que muitas vezes trazem mais conteúdo e crítica do que a mídia formal. Até aí, nenhuma novidade. Mas a surpresa fica por conta da lista que tal mensagem traz, e que mostra, em uma seção de blogs nacionais, o nosso humilde diário eletrônico, junto a outros que conhecemos, como o do tio gegeca e do alencastro. Estão de olho em nós...!

Não consegui precisar exatamente a fonte, a mensagem diz apenas "blogmania", mas não consegui encontrar no tal do blogmania qualquer referência à mensagem em questão. De qualquer maneira, dentre os citados, com maior número de visitas, destaco os seguintes:

archidose.blogspot.com

subtopia.blogspot.com

lifewithoutbuildings.net

www.cityofsound.com

architecture.myninjaplease.com

Eu adicionaria também o portal Vitruvius

escrito, na verdade, por Lucas Corato



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Sexta-feira, Outubro 05, 2007


Da série "Criador e Criatura"


criador



criatura



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Terça-feira, Outubro 02, 2007


Feliz Dia Mundial da Arquitetura



O Alencastro deu a notícia ontem, mas por minhas fontes o dia é hoje. O Dia Mundial da Arquitetura. como dizem neste blog, meh

Por brincadeira, sempre coloco no meu messenger qual a comemoração do dia. Tem dia para todos os gostos, dia dos cortadores de cana, dia da cartomante, já vi até o dia mundial das zonas úmidas. Não essas que você pensou, outras. É uma brincadeira boba. E eu sempre achei, depois de fazer isso por alguns meses, que os dias comemorados são datas a serem lembradas, coisas que estão em extinção, ameaça, mais do que para serem comemoradas. Lógico, tem os dias "profissionais", como o dia da secretária (domingo último), que é outra categoria. As datas como o dia Mundial da Arquitetura, ou o Dia Mundial das Pradarias tenta colocar um assunto na agenda, algo a ser lembrado, discutido. Como assim? Você levanta de manhã cedo e diz: "Putz, esqueci da Arquitetura!" ou "Hoje é um dia especial, vou prestar mais atenção na Arquitetura!". Sério?

Isso me deixou preocupado.

Mais preocupado ainda me deixou este link sobre arquitetura contemporânea brasileira. Links em destaque na página: Paulo Mendes da Rocha, Niemeyer (hoje) e Burle Marx. É como falar de futebol no Brasil e só citar o Pelé, o Zico... mas não se assustem tanto, tem mais coisa lá.

E esta é uma página que eu recomendo uma passada, mesmo que rápida. Do Royal Institute of British Architects.



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