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O Architecture é um blog de arquitetura no brasil, discutindo temas como projeto, construção civil, teoria da arquitetura, mercado, design e outros temas. Entre e comente nossos posts!




 

Terça-feira, Dezembro 26, 2006


Grandes bizarrices da contemporaneidade,
ou "Quem deixou fazer isso?"



iPad residential tower, em Dubai.


Esta é apenas uma suposição de como possa ser o edifício, pois o escritório encarregado, o James Law Cybertecture International, ainda não lançou oficialmente nenhum projeto.
De qualquer forma, temo que não seja nada muito diferente disso...


postado, na verdade, por Lucas Corato, o sumido do blog.



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Quinta-feira, Dezembro 21, 2006


Novo site no ar

www.lucascorato.com

Espero que gostem!

p.s.1: tomei a liberdade de adicioná-lo à seção "links" do blog.
p.s.2: feliz Natal!

postado, na verdade, por Lucas Corato, o sumido do blog.



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Quinta-feira, Dezembro 14, 2006


Os Seminaristas



É virtualmente impossível abrir espaço na agenda em uma tarde de quarta-feira para eventos como um seminário sobre arquitetura, vocês sabem. Digamos que não é assim que funciona.

Mas se você imagina uma sala lotada de estudantes babando no próprio ombro ou rabiscando besteira no bloquinho quadriculado que ganharam, E NÃO assistindo a apresentação de projetos realmente interessantes, o espírito cívico-corporativo dos arquitetos o obriga a rever prioridades. Andiamo prestigiar a classe, portanto, depois a gente se vira com os clientes.

A classe, no caso estava representada por três arquitetos - Mário Biselli, Marcelo Ferraz e Massimiliano Fuksas - escalados para apresentar as obras mais relevantes de seus escritórios sob o pano de fundo (e tema do seminário) - marcos urbanos - que de tão genérico parece nome de gente. Melhor assim.


Começando por uma digressão: não houvesse nada de interessante a se assistir ali, a presença já teria valido a pena pela aula - na verdade implícita - sobre como abordar um concurso, oferecida pelo primeiro a se apresentar, Mario Biselli.

Primeira coisa: entrar no concurso com os dois pés, like you mean it. Parece óbvio, mas não é - é comum que escritórios entrem em concursos como quem pratica um hobby - aproveitando qualquer estagiário ocioso, aprontando representações gráficas simplórias e projetos algo mais que esquemáticos. Algo como a versão arquitetônica dos jogos olímpicos, "o importante é competir", etc.

Bem, os concursos ganhos pela equipe de Biselli trazem estampada a dedicação com que desenvolvem o projeto e sua representação - e pelo sucesso que tem tido nas ultimas competições, isso tem feito toda a diferença. Além do que, item número dois da mini-aula, "jogar para a torcida" não significa - como para muitos "competidores" - puxar o saco do júri, consiste antes em direcionar o olhar dele para o que é mais importante no projeto -e isso, em especial no Teatro de Natal - eles conseguem fazer bem.

A relação estabelecida com a produção contemporânea internacional já é marca registrada das obras mais recentes de seu escritório; em alguns deles, a referência chega à citação direta -mais formalista que metodológica; já no Teatro vencedor do concurso, as referências aparecem de forma mais desenvolvida. A abordagem nesse diálogo com a produção estrangeira é a de escutar primeiro e falar depois, e é nesse intervalo que a maturação da linguagem e do método vem ocorrendo de forma cada vez mais consistente em sua obra. O projeto consegue se estabelecer com voz própria. É um grande complexo, de implantação bem ajustada e soluções formais inteligentes que tiram partido da principal vantagem que os concursos têm sobre as licitações convencionais - a liberdade criativa.


Já a Brasil Arquitetura de Marcelo Ferraz, o segundo palestrante, cumpre o que o nome promete, faz da arquitetura nacional um produto-exportação, leva para frente (e para fora) a discussão do que seria uma arquitetura nacional, aprofundando ainda alguns vínculos anteriores e, claro, para reforçar a marca.

A grande referência, claro, a lógica arquitetônica de Lina Bo Bardi, com suas virtudes e defeitos (na verdade, idiossincrasias) que se vai se aplicar no projeto do Museu Rodin de Salvador da mesma forma que no Projeto do Museu da Imigração Japonesa, do conjunto do Centro Cultural KKKK em Registro, SP: a sutil amarração de edifícios através de elementos específicos - passarelas, marquises, muxarabis - que colocados de forma precisa conseguem extrair da heterogeneidade dos edifícios uma amarração invisível, mas consistente.

Mas é no projeto para o Bairro Amarelo da finada Berlim Oriental - que se você viveu no mundo da arquitetura nos últimos 10 anos certamente ao menos ouviu falar - que a postura do escritório em relação à produção internacional destaca-se bem da postura apresentada anteriormente. Nesse diálogo, a postura é falar primeiro, demarcar território, mas caprichando na sintaxe. Chega a ser um certo exagero a participação de uma tribo indígena na produção dos ladrilhos cerâmicos usados como acabamento nas áreas coletivas dos edifícios; a própria solução do ladrilho em si, assim como a estratégia de substituir todos os componentes dispensáveis de concreto pré-fabricados por elementos mais leves e bonitos - aí de novo o onipresente muxarabis - representam uma sutileza na abordagem que demarca bem o modo de pensar arquitetura não só de Lina e sua linhagem, mas de toda arquitetura decente made in Brazil.

Até então, duas apresentações; ambos arquitetos paulistas, ambos desvinculados da escola paulista normativa de 1º e 2º grau; até então, as apresentações de duas posturas que representam bem a produção brasileira contemporânea e de como esses arquiteturas dialogam com o resto do mundo.


Mas ainda havia Massimiliano Fuksas, o homem da Feira de Milão. Como todo italiano de meia-idade, é um personagem fugido de um filme de Mario Monicelli. Começa reclamando, claro. No caso, da pressa brasileira em construir. Mais constatação que reclamação, é vero. Elogia São Paulo enquanto campo experimental de arquitetura - well, whatever you name it - e vai subindo gradativamente o foco da conversa até chegar na idéia de polis. A escala que interessa a Fuksas é outra. É a do planeta de 6 bilhões de habitantes que "não se conhecem" e da heterogeneidade arquitetônica resultante. Soluções homogêneas não são com ele. Sua metodologia parece se basear em "momentos arquitetônicos", em fragmentos que se relacionam de uma forma nem sempre clara com o todo. Na apresentação, é sempre uma surpresa, a cada slide, descobrir já se mudou de projeto ou não.

Essa leitura, entretanto, é a que os arquitetos fazem; logo, é a que menos lhe interessa. Para ele, o diálogo entre arquiteturas é uma discussão fora de escala. Se há um diálogo, são com as outras artes.

Quando lhe propõem uma torre, faz logo duas, pois é a tensão entre elas que interessa; o efeito do reflexo de um espelho d'água em um forro pode ser um partido arquitetônico tanto quanto uma implantação; a forma de um tornado apresenta uma dinâmica complexa o suficiente para que enfim ele se interesse pelas formas; questões de escultura, pintura e cinema são o cerne de vários projetos, e a arquitetura que nasce disso é incidental. Ou em suas próprias palavras, "a fachada é uma conseqüência". E fechando com mais um recado direto aos brasileiros, é o arquiteto, sempre e no matter what, que deve arcar com as conseqüências.

Posturas tão diferentes poderiam gerar horas ininterruptas de discussão; mesmo as questões em comum dessa fornada de projetos - no caso o enfrentamento de programas grandes e complexos, como um bairro de 120 mil habitantes, um complexo de salas de teatro e nada menos que a maior feira do mundo - caberiam num grande painel de como essas abordagens se cruzam.

Caberiam. Mas como sempre o tempo reservado aos debates tende ao instantâneo, e é preciso descontar o espaço gasto com perguntas de revista de fofocas, anedotas e burocracias, pouco sobra. O que deveria ser um seminário de arquitetos acaba mais parecido com um de padres; entre sonâmbulos e cadeiras vazias, destacam-se não apenas a ausência de debates, mas de arquitetos - principalmente aqueles cuja produção destaca-se pelo contraste.

De arquitetos ou padres, de qualquer forma, tanto faz. No meio de uma tarde chuvosa de quarta-feira, existem formas e formas para se purificar a alma. Ao menos para quem gosta de boa arquitetura.




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Sexta-feira, Dezembro 08, 2006


Enquanto isso, na China...











e eu aqui, com meus tijolinhos baianos...

na verdade, postado por Lost



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