Desde 22 de outubro de 2003


Arquivos



online




Blogs
Mexerica
Biama
Malungo
Depois da Queda
Blog do Tonho
Arquirados
Nedua
Alianadi
Quase Arquitetas
Admiravel Mundo Novo
E.A.THOBIAS
Tatiana
Itabigi
Primeira Lista
Observador
a r c h p i c t s


Links:
Arcoweb
Pritzkerprize
Vitruvius
Lucas Corato Fotografia e Arquitetura





CONTRATEM-NOS!
Arq. Rafael Lisboa Péra
Arq. Alberto Barbour
Arq. Lucas T. Decina
Arq. Kiko Masuda
Arq. Lucas Corato








Ultimos comentários:



Seção off-topic:

Enquanto desenha, escute:
PJ Harvey
Franz Ferdinand
The Killers


Enquanto imprime, veja:
Parlata
Daniel Piza


Enquanto almoça, tente:
Pinguim Acrobata
Joguinho do Helicóptero
Teste seus reflexos




O Architecture é um blog de arquitetura no brasil, discutindo temas como projeto, construção civil, teoria da arquitetura, mercado, design e outros temas. Entre e comente nossos posts!




 

Segunda-feira, Outubro 30, 2006


Enciclopédia Arquitetônica Filosófica de Trás Pra Frente


Urbanismo, s, m: 1 Um dos jogos modernos mais ingênuos da civilização (ver lendas urbanas), no qual o jogador mantém a convicção de estar no controle do planejamento de uma cidade (ver artefatos do século XVIII). 2 a arte e a técnica divinatória de como as pessoas vão se virar com soluções seculares de problemas que não existiam 20 anos antes. 3 Retórica. 4 A maior atividade multidisciplinar criada pelo ser humano, sem qualquer vestígio de disciplina.




exemplo de soluções urbanísticas aprovadas por um comitê de urbanismo após 37 reuniões.




|
Comments:



Segunda-feira, Outubro 23, 2006





|
Comments:



Sexta-feira, Outubro 20, 2006


Seção "Calhas e rufos pra que?"





Armazen Ricola
Arq. Herzog e de Meuron
França, 1992



|
Comments:



Segunda-feira, Outubro 16, 2006


O Arquiteto

A respiração angustiada prenuncia o embate que se seguirá. Quem quer que encontre O Arquiteto, andando com passos curtos e rápidos, segurando na ponta dos dedos uma folha de papel manteiga como um lençol esvoaçante, a caminho da prancheta, sabe que está diante de um homem percorrendo a ultima milha, e pensa "lá vai um bravo".

O lençol é estendido sobre a prancheta e enquadrado com meticulosidade junto à borda, para que as mãos do arquiteto, trêmulas - não de medo, não! - da responsabilidade de que acertem o durex em suas pontas como um dardo, garantindo uma superfície perfeitamente plana, onde a régua paralela possa deslizar como um ferro de passar. O campo de batalha está montado. As armas estão a postos. A batalha vai começar.

Depois de ajustar por alguns segundos o comprimento do grafite, nem muito longo que possa quebrar, nem muito curto que possa acabar antes do traço, o arquiteto esfrega um pouco o esquadro sobre o papel como quem procura um lugar para furar um poço de petróleo; mede, calcula mentalmente até onde vai o desenho para não cair do papel, e traça a primeira vertical, nem tão próxima assim da margem, que se alonga como um traço elegante quase até o final, quando arquiteto treme a ainda trêmula mão, terminando a quase-perfeita linha como um fiapo de cabelo decalcado sobre o papel. A partir daí é caos, som e fúria.

* * * * *

Muitas idéias começam a brotar ao mesmo tempo, mas fogem todas ao primeiro toque da lapiseira no papel; fica uma última, acuada, nascida na cama da noite anterior, que parecia tornar o trabalho do dia seguinte em uma espécie de terapia ocupacional; bem, O Arquiteto descobre que ela cabe em escala perfeita no mundo dos sonhos. A realidade se resume a uma linha curta, remelas de borracha e um problema ainda intocado.

O Arquiteto é um homem estudado, sabe que nos livros estão as respostas para todos os problemas. E nas revistas, as ilustrações comentadas das respostas. Nesse momento o arquiteto sabe com humildade que nada é criado do nada, que os arquitetos de hoje em dia chegaram atrasados numa história onde tudo já foi feito, e que no mundo contemporâneo é preciso dialogar com as referências. Desde que ela a encontre, encravada numa sólida muralha de lombadas de revista, que informam apenas o que não precisa ser dito, deixando a cargo da paciência e da sorte encontrar uma ou duas obras análogas.

Mas O Arquiteto sempre encontra a sua referência. E a primeira vista, ela é tão perfeita para o seu problema que chega a ser melancólica a idéia de ter de mudá-la. Sua vontade é de ligar para o Outro Arquiteto e pedir o copyright emprestado; seria ético, afinal, é uma obra que ele mesmo assinaria embaixo. Mas a vida como ela é não permite esse tipo de paz e boa vontade entre os homens, e o arquiteto retoma com coragem a empreitada.

O papel esfumaçado de grafite começa a receber as linhas sem copyright que vão incubar a nova criação. E antes mesmo que o conjunto geral tenha sido passado a limpo, o Arquiteto percebe que naquele projeto existem sim, falhas. E aos montes. E que virando uma ambiente assim, olha como fica melhor, e esse volume inútil...o arquiteto percebe que aquele projeto é uma farsa, um equivoco, uma vergonha; agora tem vontade de ligar para o Outro Arquiteto e perguntar "você acha que isso que você fez é um projeto? Porque você não vem aqui ver como é que se faz?"

Tudo muda no campo de batalha. O papel manteiga é deixado de lado, e croquis de esferográfica azul surgem nas bordas de sufites A4, em escalas particulares, e nem bem são terminados, porque uma nova idéia surge no caminho e o arquiteto vira - terceira vez - o verso da folha, onde já está tão rabiscado ou mais, e reconsidera o uso daquele espacinho em branco antes rejeitado; meia hora depois, plantas e cortes esquemáticos serão refilados em velocidade recorde, com o esquadro correndo simultaneamente à regua, em um balé que só é eventualmente interrompido por um durex que enrolou a ponta.

* * * * *
O café da vitória serve para reposicionar a coluna que passou metade do tempo em balanço, metade do tempo apoiada um um dos pés; serve para visualizar mentalmente o resultado, controlando os impulsos de novos alterações; O Arquiteto sabe que os detalhamentos não podem deter esta obra - aliás, nem o cliente, nem o empreiteiro, nem a prefeitura podem adiar os louros da fama a que este projeto está destinado; no mínimo, um dia ele será a referência para outro arquiteto.

Nesse momento, o sentimento de missão cumprida adia as dores do parto para o dia seguinte. Elas virão, sem duvida, a realidade se impõe. Mas no fundo da xícara de café está escrito que nada pode deter esse projeto, e O Arquiteto acredita. Lá vai um bravo.





|
Comments:



Quinta-feira, Outubro 05, 2006




Coluna do Contardo Calligaris, na Folha de hoje, 05/10/06

"
Av. Faria Lima, Berlim Leste
Graças a uma nova lei da Prefeitura de São Paulo, logo viveremos felizes em Berlim Leste

CONTARDO CALLIGARIS

MINHA PRIMEIRA viagem a Berlim foi no começo dos anos 70, com um grupo de amigos militantes de esquerda.
Para quem vinha da Europa Ocidental, Berlim Leste era estranhamente monocromática. No fim do dia, a débil iluminação urbana instaurava uma penumbra amarela e opressiva: era a Viena de Orson Welles no "Terceiro Homem", sem o charme do claro-escuro. Pensávamos: os "camaradas" não vão desperdiçar watts para dar à cidade um ar de festa, precisam construir o socialismo e deixar a força para as fábricas. Não é?
Alexanderplatz, com a sua Fonte da Amizade Internacional e o palito da torre da TV, parecia-nos sinistra.
Mesma coisa com Unter den Linden, apesar de nossas lembranças literárias. Alguém comentou: "Se ao menos houvesse letreiros luminosos e anúncios publicitários". Era uma constatação envergonhada: afinal, aquela iluminação parcimoniosa e a "sobriedade" da paisagem urbana deviam ser um ato de acusação contra a frivolidade do Ocidente. Ali, o pessoal se dedicava a uma tarefa séria e grande: tratava-se de construir uma sociedade em que cada um pudesse cuidar não do que ele tinha ou não tinha, mas de sua "essência". Nós, "alienados", sentíamos nostalgia da proliferação de outdoors e holofotes da Kurfürstendamm.
Voltamos para o Oeste no meio da segunda noite, com uma sensação de derrota, e ficamos passeando e conversando ao redor da estação do metrô Zoo, até o dia nascer. Era um bom lugar para meditar sobre a leviandade do Oeste, onde nos sentíamos em casa, e a tristeza do Leste, do qual acabávamos de fugir (como muitos alemães, mas sem correr os mesmos riscos). De um lado, uma idéia e um projeto só. Do outro, uma confusão de objetos e superfluidades. Descobrimos que, entre Alexanderplatz e Zoo, preferíamos Zoo, com sua mistura de desejos de consumo e vidas perdidas.
Anos mais tarde, ao chegar ao Brasil pela primeira vez, a iluminação duvidosa das ruas evocou, na minha memória, a penumbra de Berlim Leste. Com esta (grande) diferença: a alegria que pipocava nas luminárias caóticas de barzinhos, armazéns e propagandas vistosas, embora curiosamente "démodées". Aparte: a escuridão das ruas não era sinal de escassez, mas de menosprezo pelo espaço público (as ruas eram escuras, mas as casas dos amigos que me hospedavam brilhavam como árvores de Natal).
Pois bem, o prefeito e a Câmara dos Vereadores de São Paulo acabam de aprovar uma lei para melhorar a paisagem urbana. A partir de janeiro, sem mais nem menos, "fica proibida, no âmbito do município de São Paulo, a colocação de anúncio publicitário nos imóveis públicos e privados, edificados ou não". A maioria dos comentaristas aplaude: a ganância da iniciativa privada parará de desfigurar nossa cidade. Entendo, mas fico perplexo.
A Folha de quarta-feira retrasada publicou, em primeira página, a fotografia de um trecho da avenida Faria Lima em seu estado atual e uma fotomontagem da prefeitura que mostra o mesmo trecho assim como será, uma vez a lei entrada em vigor: é a Faria Lima de Berlim Leste. Se a lei não instaurar apenas um rápido intervalo para reinventar uma nova e melhor presença de holofotes, letreiros e outdoors, viveremos em Berlim Leste, com a desvantagem de não ter um sonho (ou pesadelo) utópico para justificar a monocromia e a penumbra de nossa cidade. Tudo bem, quando a gente não agüentar mais, restará passear pelos shopping centers, que permanecerão como ilhas de uma estética que não despreza o caleidoscópio desordenado dos desejos que é nossa "essência", fútil, mas (é sua vantagem) volúvel e plástica.
Ninguém parece se preocupar com a perda cultural que seria produzida pelo sumiço das propagandas. Somos uma sociedade de indivíduos. Não temos em comum nem uma fé nem uma tradição coesa.
Compartilhamos dois repertórios: o de nossos sonhos (as ficções, as músicas etc.) e o de nossos desejos desordenados, cujos caminhos coletivos aparecem, por exemplo, nas mil seduções dos anúncios que decoram o espaço no qual vivemos juntos.
Se você não acredita que esse segundo repertório possa ser uma parte relevante de nossa cultura e de nossa história comuns, faça uma experiência simples: folheie com amigos o maravilhoso "Almanaque dos anos 70", de Ana Maria Bahiana (Ediouro).
"
na verdade, postado por Lost



|
Comments:



 
BlogRating