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O Architecture é um blog de arquitetura no brasil, discutindo temas como projeto, construção civil, teoria da arquitetura, mercado, design e outros temas. Entre e comente nossos posts!




 

Terça-feira, Junho 13, 2006


Google Earth foi Atualizado
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Segunda-feira, Junho 12, 2006


The Drunk Guggenheim




Esse é o esquema de circulação do Mercedez-Benz Museum, em Stuttgart.
Você primeiro sobe de elevador até o topo e depois vem descendo por esse percurso.
O próprio percurso vai configurando os espaços, com aquela linguagem bem van berkel que você conhece

Poucas soluções são tão arriscadas para museu quanto fazer da arquitetura uma espécie de lente através da qual você vê a exposição, onde a obra exposta e o lugar ficam na memória como uma experiência só. O risco de camuflar a obra é grande (e claro, a necessidade de se camuflar algumas obras é maior ainda) . Mas acho que aqui não foi a caso, e excepcionalmente, acho que uma valoriza a outra.

Ah, você quer ver a cara do prédio né? Sabia.




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Terça-feira, Junho 06, 2006


Luís Inácio Mendes da Rocha

Paulo Mendes da Rocha no Milênio, da Globonews. A introdução o apresenta como professor da USP cassado (talvez caçado, sei lá, quem conta um conto...) pelo AI-5. Ganhou o Pritzker, etc. Não mostram nenhuma obra. Nem em foto. Estranho. Mostra a cidade de São Paulo - será obra dele, a essa altura? Como eu disse, estranho.

Estão, ele e o entrevistador, dentro da Pinacoteca, mas só o que vemos dela é o que um looping da câmera, torto, meio bruxa de blair, mostrando um pouquinho da cobertura, um guarda corpo. E vamos em frente.

Na entrevista, aprendemos que "tudo que um arquiteto projeta é habitável" que "não existe moradia mínima, o cara tem a cozinha pequena porque quer cozinhar logo e sair para o espaço infinito, que é o espaço público" que "o carro é uma maquina de 600 Kg dirigido por um 'tolo' (pra Globo, o 'imbecil' de sempre virou 'tolo')" que "shopping deveria ser proibido pela legislação urbana". De resto, as palavras ao vento de sempre; o repórter pergunta de São Paulo, ele responde do planeta; pergunta da redistribuição supostamente desejável da população das grandes metrópoles em outras cidades, ele responde que o genocídio não deu certo. Sério. Pelo menos, as serious as it gets.

Inevitável não pensar no Lula: não vemos a obra, só vemos o discurso. Quando vemos o discurso, ele é quase totalmente uma sandice, uma sandice ousada de quem foi convencido por todo mundo de que era o Escolhido. Continua sendo tratado com o silêncio obsequioso da claque quando diz bobagem, o que é freqüente, e o máximo que consegue é dizer algum arrazoado de senso comum - quando então sua palavras se tornam a terceira tábua dos mandamentos. Claro, é um sucesso de crítica em todo mundo.

Isso é o Brasil que o mundo vê. E essa é a época que a gente vive.

PS1: Talvez a diferença maior entre os dois seja que existe uma obra do Paulo Mendes a ser mostrada. Mas ela, como sempre, ficou em segundo plano em relação aos discursos. O que, no fundo, é coerente, uma vez que entre uma solução arquitetônica que vai resolver a obra e uma omissão arquitetônica que vai reforçar o discurso, normalmente ele opta pela segunda.

PS2: Sei que esse tipo de texto deixa muita gente nervosa e cria inimigos de graça. Infelizmente. Nessas horas seria muito mais fácil entrar na onda e acreditar que se trata de um grande intelectual e arquiteto made in brazil. Um Ronaldinho Gaúcho. Não é. É um fenômeno publicitário como o Lula. Mas essa, como eu disse, é a época que a gente vive. Pronto, pode me xingar a vontade, I don´t give it a damn.





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Segunda-feira, Junho 05, 2006


LENDA URBANA

Vender o carro foi a primeira coisa que passou pela cabeça de Mathias quando se formou em Arquitetura e Urbanismo, conquista da qual se orgulhava a ponto de pronunciar sempre assim, com maiúsculas.

Pousou a latinha de cerveja no balcão da churrasqueira e falou pra namorada - que a principio prestou a mesma atenção de sempre, nenhuma - "Agora só transporte público".

Para Mathias, era a única coisa sensata a fazer. Ele agora conhecia os problemas da cidade, havia se formado para resolvê-los, e não para ser parte deles.

"Ah, e vou mudar pro centro". Claro, afinal tudo começa com a revalorização do centro da cidade, sua degradação seria irreversível se não fosse habitada pela classe média, e ele, que quando entrou na faculdade achava o centro "mal-assombrado", sabia que era o momento para exorcizá-lo. Pelo menos, fazendo a própria cota de penitencia.

Os amigos logo perceberam que não seria fácil - não pro Mathias, que estava obcecado com a idéia - mas para eles mesmos: cinema, só na ultima sessão, e olhe lá, depende da distância do ponto de ônibus. Seria um problema pequeno, não tivessem sido vetados todos os cinemas de shoppings, os inimigos número um dos urbanistas, seqüestradores de corações, mentes e principalmente de áreas, onde pessoas como ele sabiam que ali estava sendo desperdiçada mais uma oportunidade fazer um legítimo espaço de lazer para os cidadãos: um parque.

Mathias freqüentava parques de forma incrivelmente assídua, considerando-se que tinha nojo. Do cheiro do ar, da água e do milho verde. E não gostava muito de pisar na grama. Mas urbanisticamente falando, adorava os parques, aquela mistura de classes, o espaço "onde os conflitos sociais aconteciam" segundo sua ex-professora. Eventualmente achava simpático até um assalto, não raro, a ele mesmo, quando vagava sozinho em horários em que só urbanistas e trombadinhas apreciavam a maravilha do céu iluminado pelas torres de telefonia.

Quando Mathias sumiu, os mendigos da praça ligaram pra sua namorada, afoitos, "três dias e nada das latinhas de alumínio" - latinhas que eram recolhidas de apartamento em apartamento por Mathias e colocadas na rua em saquinhos iguais para, você sabe, fazer a parte dele rumo a uma cidade sustentável.

"Esqueçam", respondeu a namorada, com impaciência resignada. Ele comprou o Uno do meu irmão e está morando nele agora; disse que vai ser uma espécie de super herói do urbanismo. Sua idéia é arrancar as grades dos prédios públicos, segundo ele "um crime contra a cidade". Ele quer amarrar as grades no carro e arrancar em velocidade. Se der certo, vai fazer os prédios privados também. Ele me deixou recado pra por as latinhas pra vocês, mas sinceramente, eu não bebo nada enlatado e ele só bebia por causa de vocês. Sinto muito.

Há quem diga que os mendigos se juntaram ao Mathias em sua nobre missão. Também há indícios que um Uno encontrado sem o eixo de trás abandonado em frente ao MuBE seja prova de que o esquadrão cresceu e agora usa, segundo testemunhas, um Opala.

Daqui da janela, olho e me pergunto qual será o próximo alvo de Mathias. Ah, os benfeitores da cidade...



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Quinta-feira, Junho 01, 2006


Isto também vale para arquitetura...


24 de maio, 2006
Realidade

A noção de realidade de algumas pessoas é estatística: a vida dos ricos é menos real, dizem, suponho porque passada entre pessoas menos representativas da amostragem estatística; bairros bons são menos reais que bairros ruins; você acha que isso é a realidade, cara? o que é que você sabe da realidade?; se você pegar um ônibus para a periferia vai ficando cada vez mais real ao longo do trajeto; ricos são menos reais que pessoas de classe média, que são menos reais que pobres, que são menos reais que favelados; se um bancário perder um emprego, ficou mais real de repente; em São Paulo, os Jardins são menos reais que a Aclimação, e dentro dos Jardins a Oscar Freire é menos real que a Augusta; mesmo na Augusta a parte que tem mais prostituta é mais real que a que tem menos, porque nada dá mais realidade a um lugar que umas prostitutas, especialmente se não cobram muito; a Kopenhagen é mais real que a Godiva, e assim por diante. Mas se ricos são menos reais do que pobres porque há mais pobres do que ricos, canhotos são menos reais do que destros? E existem outras barreiras que nunca entendi: universidades são sempre acusadas de irrealidade, fala-se sempre em "muros"; a vida acadêmica não é real, por oposição ao comércio que é mais real; mas outro dia tropecei num bebedouro dentro da Faap e a dor na minha canela foi bem de verdade, e a humilhação e as lágrimas perseguem os meus dias.

Por Alexandre Soares Silva. aqui




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