Desde 22 de outubro de 2003


Arquivos



online

casa.com.br - Quem mora precisa


Blogs
Mexerica
Porra, Arquiteto!
Blog do Alencastro
Tio Gegeca
Revista Crise[!]
Rossin SP
E.A.THOBIAS
Arquiteturas...

adaptivereuse.net
Aesthechtonik
aggregät 4/5/6
anArchitecture
Aquili - Alberg



Arch | Diaries
...Archi-hell
ArchiNow
ArchiSpass
architechnophilia


architect studio
Architectural Prozac
architektur
ArcHiTecTure
Architecture and Morality


Architecture and Urb.scape
Arch.-Bldg.-Const.
ArchitectureChicago Plus
Architecture Lab


architecture.mnp
Architecture of Fear
architecturephoto.net
Architecture, Photographie...
Architecture Sketches


Architecture-Urbanism
Architextures
Architook
archizoo
archlog
ArkiBlog


Arkinetia Blog
ArkitecTRUE
Arkhitekton
arktek
Arquitecblog
Arquitectearte


arsitekturina
Atelier A+D
B******s to Architecture
B.E.L.T.
Blabber, Etcetera
BLDGBLOG


blog like you give a damn
Blog on the City
the building bloc(k)
candyland
The Center: AIANY Blog
City Bites


City of Sound
The Classicist Blog
Continuity in Architecture
CoolBoom
Critical Cities
Critical Spatial Practice


Defpoints
deputydog
Developing [news]
dialog
Do You Want Some Coffee?
Dwell Blog


East Coast Arch. Review
edgargonzalez.com
Eikongraphia
Eye Candy
Gehry: Contemporary Master
hipercroquis


The Iaakuza Chronicles
Interactive Arch. dot Org
Itinerant Urbanist
J-Architectes
Kosmograd
Kreutzer and the City


loud paper
Lee Bey
lewism
Liao Yusheng
Life Without Buildings
Marvelous Architectures


materialicious
Mi Moleskine Arquitectónico
mirage-studio
Miss Representation
MuralMania
The New Modernist


Notes...Famous Architect
noticias arquitectura
no, 2 self
Offbeat Homes
Off the Record
One-Way Street


papressblog
PartIV
Plataforma Arquitectura
pointingit
PrairieMod
Progressive Reactionary


Pursuing Wabi
PYTR75
re:ACT
ROADS LESS...TRAVELED
The Sesquipedalist
ShantyWorld.com


sit down man...
The Skyline
Stories of Houses
Strange Bungalow
Strange Harvest
Studio Wikitecture


Super Colossal
terra non firma
The ARCH
theartofwhere
there is something about...
Thoughts on Architecture


Transfer
Triple Mint
Tropolism
Unhoused
varnelis.net
VitraP


the way of peace
Apartment Therapy
Architectradure
BellDesign
Contemporist


Cool Hunting
Core77.com
(CRIT)
David Report
Design Notes
Design Observer


Design Spot
Design Spotter
designverb
dezeen
Food for Design
Future Feeder



Gaile Guevara
GigantiCo
Hatch
Human-Assisted Design
iMod
Inhabitat


Insource/Outsource
Life by Design
life fever
MoCo Loco
PingMag
PRADE


Remodelista swissmiss
things magazine
3rings
Transmaterial
2Modern Design Talk


2 or 3 things I know...
The Wayfinding Place
we make money not art


Links:
Arcoweb
Pritzkerprize
Vitruvius









Ultimos comentários:



Seção off-topic:

Enquanto desenha, escute:
PJ Harvey
Franz Ferdinand
The Killers


Enquanto imprime, leia:
After the fall
Reinaldo Azevedo


Enquanto almoça, tente:
Pinguim Acrobata
Joguinho do Helicóptero
Teste seus reflexos







 

Quinta-feira, Janeiro 13, 2011


Quer um Conselho?




de algum lugar daqui




Tem sempre alguém para dizer que “se conselho fosse bom, alguém venderia” – e normalmente, a frase é sucedida por um conselho grátis. Maesmo assim, se o ditado for válido, a julgar pelo quão caro saiu o recém-nascido Conselho de Arquitetura e Urbanismo, ele deve mesmo ser ótimo.

Quase 80 anos depois do casamento, finalmente saíram os papéis do divórcio, pedido há meio século. Não seremos mais explorados por engenheiros e agrônomos, restando a tarefa apenas para o Estado (sempre) e pelos clientes, (as vezes).

Bem, e o que muda? Tudo.

Se os filósofos dizem que o que não existe na linguagem não existe no mundo, então a profissão autônoma de arquiteto passa a existir agora no Brasil. Exagero? Não é preciso atuar na área para saber que hoje o brasileiro médio não faz a menor idéia do que separa a atuação do arquiteto e do engenheiro. Como poderiam, se os próprios não têm lá muita certeza?

Na verdade, ninguém tem: na prática, são os próprios profissionais (de ambos os lados) que acabam determinando seus limites de atuação numa grande terra de ninguém - só o terreno que é do desavisado cliente.
Então se dentro de algumas gerações, a confusão entre as áreas de atuação da engenharia e da arquitetura parecer absurda, certamente alguma coisa terá caminhado na direção certa. (ainda que o afastamento dos agrônomos possa contrariar alguns arquitetos atualmente mais interessados em verdura que em arquitetura).

Assim, diante da tarefa colossal que se apresenta, causa espanto algumas prioridades expostas recentemente pela primeira rodada de textos a respeito do Conselho: a mais espantosa para mim: a ampliação de concursos públicos.

Não há duvida de que trata-se de uma meta importante. Mas está longe de ser uma prioridade nesse momento . Senão vejamos. Que se façam mais concursos da forma que a profissão funciona hoje. O projeto vencedor do concurso terá as seguintes características:

1. Terá sido escolhido à revelia das regras do edital – o que terá pouco impacto, afinal, nem dotação orçamentária aprovada existe para a obra, e a chance de que saia do papel é sempre pequena.

2. Será amplamente alterado, com a aprovação ou não do arquiteto, segundo a vontade do contratante.

3. Terá sido produzido em um escritório com boa parte (ou a totalidade) de arquitetos sub-remunerados e não registrados, que trabalham em 3 ou 4 softwares piratas.

4. Terá um prazo esdrúxulo para a entrega, será pago meses após o término, e será licitado em partes, após passar por amplos cortes direto na planilha, mais uma vez sem supervisão do arquiteto.

5. Não terá a fiscalização da obra feita pelo próprio arquiteto – a não ser que eles se sujeitem a fazer isso de graça e informalmente, porque é mai fácil ganhar um passaporte diplomático do que aprovar juridicamente essa contratação.

Então, temos mais o que fazer por hora. Assim como os médicos estão encarregados dos hospitais e os advogados dos tribunais, teremos enfim condições de reivindicar, modestamente, que nos encarreguem da cidade inteira.

A profissão vive no Brasil o fim de um longo ritual de passagem à vida “adulta”. Como já fomos alertados, “com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades”. Até agora, nós arquitetos não tivemos poder nenhum, e a sociedade sempre teve certo pudor de nos responsabilizar por causa disso.

Pois se esse Conselho servir para algo, servirá para isso: para reivindicar os poderes que os arquitetos precisam ter - o de ser contratado, e de ver seus projetos executados fielmente - bem como para responsabilizá-los, uma vez que esses projetos virem realidade.

É uma batalha titânica, que tudo para dar errado, e depende fundamentalmente dos arquitetos. Ou seja, é como qualquer projeto; a gente tira de letra.






|
Comments:



Quinta-feira, Dezembro 16, 2010


CHANGES


Este blog vai mudar.

Após alguns anos utilizando o serviço blogger, que nos deu muitas coisas boas e muita dor de cabeça, iremos migrar nosso blog para um local mais profissional.



|
Comments:



Sexta-feira, Dezembro 10, 2010




Do pessoal do Arq!Bacana veio esse post sobre porquê, deus porquê QUASE todos os arquitetos terminam desta forma.

Link para o post aqui do Arq!Bacana e o original, aqui



|
Comments:



Quinta-feira, Dezembro 09, 2010




Peter Zumthor




1.
O cliente sabe melhor do que ninguém o que ele quer. Ele quer ser confrontado.

2.
Calculo estrutural: a arte de transformar uma pedra em um peixe – e depois colocar uma bóia nele.

3.
Existem paisagens em franca evolução, se comparadas com Brasília. A Lua, por exemplo.

4.
Acessibilidade é a direito do cidadão de entrar em um prédio sozinho, se alguém levá-lo até a porta.

5.
Quanto mais burro é um projeto, mais misterioso ele parece.

6.
Se o cliente aprovar sua proposta sem restrições, pode saber: tem algum erro descomunal ali.

7.
Se for apresentar maquete, nem precisa dos desenhos; se apresentar um vídeo então, nem leve a maquete. Aparentemente, quanto menos informação você apresentar sobre o projeto, mais atenção você terá.

8.
Masdar, Abu Dhabi: é impressionante quanto o homem está disposto a gastar para provar que não gasta nada.

9.
A obediência ao cliente é a virtude dos entediados com arquitetura.

10.
Novas tipologias: Aquele edifício em que os internos estão enjaulados para não fugirem, e que é todo acolchoado para não se machucarem. E que vão do ensino fundamental ao médio.







Daniel Senise






|
Comments:



Quarta-feira, Dezembro 08, 2010


Nihon! Nihon!


Acontece a partir de hoje, no Instituto Tomie Othake uma exposição sobre arquitetura japonesa contemporânea

Parallen Nippon cobre 10 anos da produção japonesa, entre 1996 e 2006 e inclui os medalhões habituais entre arquitetos não tão conhecidos. 124 obras estão presentes, entre projetos, fotos, maquetes e.... claro, origamis.

Deve ser mais bacana que toda uma Bienal de Arquitetura.

link para matéria, na Arcoweb

“Parallel Nippon - Arquitetura Contemporânea Japonesa 1996-2006”.
De 08 de dezembro de 2010 a 30 de janeiro de 2011.
De terça a domingo, das 11h às 20h.
Entrada franca.
Instituto Tomie Ohtake - Av. Faria Lima 201 ( entrada pela Rua Coropés, 88) - Pinheiros - São Paulo - SP
Telefone: (11) 2245-1900



|
Comments:



Sexta-feira, Novembro 19, 2010


Richard Meyer





Aguarda ansiosamente o próximo post!





|
Comments:



Quinta-feira, Novembro 04, 2010


Seminário As Operações Urbanas e a Nova Orla Ferroviária

para quem precisa urgentemente de um TFG para o final do ano, talvez seja bom conferir o Seminário "As operações Urbanas e a Nova Orla Ferroviária", organizado pela Associação Comercial de São Paulo.



Segue um link com matéria do Estadão
http://blogs.estadao.com.br/radar-imobiliario/evento-discute-a-nova-orla-ferroviaria-em-sao-paulo/
e aqui o link da ACSP
http://www.acsp.com.br/




|
Comments:



Sexta-feira, Outubro 15, 2010


Cidade de Zeus


Sou uma criatura impressionável, caso não tenham notado. O cotidiano me assombra o suficiente; o trivial me enche de assunto. Sou atacado todos os dias pelas banalidades que acabam, quase sempre, despejadas neste blog.

Daí o problema de quando encaro algo realmente impressionante como é o caso da ilha de Santorini, na Grécia. Há mais de um ano estive lá. Desde então, pesquiso obsessivamente sobre aquele estranho pedregulho, e o mistério só aumenta. O post sobre o tema já é piada entre amigos, como uma promessa eternamente adiada. "Post é tudo a mesma coisa, pare de enrolar".

Bem, o caso é que se há uma razão para se escrever sobre algo, é que nada é a mesma coisa. Santorini não é uma favela, por exemplo.
Mas como vivemos em um mundo onde uns tomam Santorini por favela, e outros, ainda pior, tomam favelas por Santorini, convém que certas promessas sejam cumpridas. Eis o resultado.



“the blue drinkable vulcano”


Santorini é, sobretudo, um vazio. Sua fama se deve a esse vazio feito de água, muito vento, uma luz mitológica, e claro, ao fato de estarmos falando de um vulcão, ou ao que sobrou dele.




Sim, isso é o que acontece quando um vulcão explode.


Segunda a história – ou lenda, os gregos não entendem a diferença - sua ultima (?) erupção foi um formidável sucesso, ouvida desde o Egito e seguida de um tsunami que dentre outras façanhas, enxaguou a ilha de Creta de sua população original.
Fez também com que parte da cratera desabasse sobre si mesma, criando uma baía em forma de meia lua que contrapõe a muralha habitada ao centro das erupções, um cocuruto torrado de onde de tempos em tempos jorra lava e que hoje emana vapores de enxofre.




Ainda assim, é aberto a visitações.


Essa explosão que destruiu o vulcão acabou ironicamente preservando quase intacta a civilização que ali habitava, embalsamada sob camadas de lava endurecida, ( nome comercial: pedra-pomes), para a alegria incontida, mesmo diante de tamanha tragédia, dos arqueólogos e agentes de turismo.
Eis o nosso destino insólito, tentando entender porque esse pedaço de pedra seca foi disputada por todas as civilizações que tinham um barco de guerra disponível por milênios, e claro, à procura da cidadela que virou a cabeça do jovem Corbu.



“savant, correct et magnifique”


Do avião não se vê nada, a fusão do mar com o céu dá a impressão de estarmos em orbita, e de repente, quicamos em terra firme. O trajeto entre o aeroporto e a cidade alta demora apenas o suficiente para se tomar um fôlego. Ainda bem, ele é bastante necessário.

A primeira impressão que se tem de Santorini vem das próprias pernas. Carros são permitidos até uma determinada altura – infelizmente, no sentido literal de altura.
Morro acima com a bagagem, eu e minha esposa seguimos em escalada, à espera de uma vista redentora, de uma mula que nos carregue, ou de um milagre.

Vem o milagre. Caldera é o nome da cratera, para a qual toda a Santori se volta como uma platéia. O sol se põe caprichosamente atrás da ilhota ao centro, e assim todo final de dia a ilha para e assiste a uma nova erupção, lenta e colorida, que se espalha sobre as águas até onde a vista alcança.




E aí? Ainda acha que eu estou sendo “poético”?


Mas é olhando para a própria ilha, e não para o mar, que ficamos realmente impressionados

A luz leve e colorida da Grécia explora perfeitamente a riqueza arquitetônica de Santorini, uma incrível complexidade volumétrica que emerge de uma composição criativa através dos mesmos elementos.
É impossível não imaginar essa combinação ilimitada de prismas, cilindros e domus brancos se convertendo em um jogo inteligente de formas debaixo da incrível luz grega - e explodindo a cabeça de um já embasbacado Corbusier.




Dessa vista nasceu a vila Savoye.


Caminhar pelas vilas de Santorini é uma experiência, a princípio, angustiante. Você quer fotografar tudo, de todos os ângulos, a cada 5 metros. 20 metros depois você desiste, e resolve filmar; em seguida você desiste. As possibilidades da cidade são infinitas, a bateria da câmera não.

O segredo, o charme e o mistério de Santorini consistem na forma genial e algo revolucionária, devo dizer, como a sua arquitetura se dissolve naturalmente em cidade.

Temos uma encosta, e até pelas limitações de meios e materiais, o escalonamento das construções é uma solução inevitável. Como não chove, os tetos podem ser planos, e no aproveitamento dessa superfície a mágica toma forma: o que é teto de um pode ser a varanda do outro, ou mesmo uma rua.






Baseado em um forte sentimento de cooperação entre vizinhos, o sistema desenvolveu-se como um urbanismo orgânico de alto nível, evoluindo como uma longa resposta às condições climáticas, aos recursos existentes, e à auto-organização social.
Como um sistema complexo de propriedade imobiliária – pra não dizer de esgoto, iluminação e ventilação – foi criado para tornar viável esse tipo de ocupação, é inevitável concluir que o sucesso de Santorini é feito de desafios ao senso comum:

Se a aparente limitação de formas geométricas e cores na verdade se revela como uma possibilidade caleidoscópica de configuração arquitetônica, essa composição aparentemente caótica é na verdade muito bem regulada e organizada.

De todas as formas para se ocupar um morro discutidas atualmente, poucas delas passam perto do grau de sofisticação de uma ilha ocupada há mais de 3 mil anos por um povo que estava aprendendo a navegar.

As brilhantes soluções arquitetônicas de Santorini vão muito alem do nível de urbanidade alcançada, passam também por excelentes soluções de conforto ambiental e economia de recursos – carros-chefe do que os marketeiros de prancheta chamam de sustentabilidade.
Muito mais fácil é dar o serviço como pronto, e decretar que qualquer favela cujo vizinho abre a janela para a cozinha do outro é um urbanismo revolucionário e incompreendido - e que para ser uma Santorini falta pouco.

Também acho. Só falta o vulcão.







|
Comments:



Quinta-feira, Outubro 07, 2010



Boa pergunta...




|
Comments:



Quinta-feira, Julho 29, 2010





Ninguém terá deixado de ouvir a incrível estória do Arquiteto Surdo que encontrou o Cliente Analfabeto, e nem do resultado também incrível que esse encontro produziu.

Sentado em seu escritório, cachimbo suspenso no ar, o Arquiteto Surdo tentava decifrar a tecnologia empregada pelos mudejares na construção de seus templos, quando viu um grande sorriso aparecer em sua porta e chacoalhar vibrantemente sua outra mão. Com sua experiência, não foi difícil deduzir que se tratava de um Cliente; requerendo certa expertise, não foi mais difícil deduzir o analfabetismo, já que o “não perturbe” da porta teve o mesmo efeito nulo que um alarme de incêndio teria sobre o Arquiteto Surdo.

O fato é que o Arquiteto Surdo jamais escutou qualquer palavra dita durante as duas horas seguintes, quando o Cliente Analfabeto relatou em detalhes tudo que ele havia visto e memorizado no discovery chanel e novela das sete e que queria ver usado em sua obra.

“Bem”, pigarreou o Arquiteto Surdo, quando notou que o cliente havia terminado, “é muito interessante isso, com certeza. Veja você que coisa curiosa: a humanidade não muda suas aspirações desde seu alvorecer. Imagine você que os mudejares...”, e colocou-se a discorrer sobre seu velho problema dos arquitraves muçulmanos, que o Cliente Analfabeto imaginou, a princípio, ter alguma ligação com a cerâmica que imita madeira que ele havia acabado de citar, mas logo acabou se entretendo com a estória e a conexão entre os assuntos se perdeu de vez.

“Então ficamos assim,meu caro” disse o Arquiteto Surdo ajeitando-se na poltrona, sem tirar o cachimbo do ponto fixo em que se suspendia no ar: “O senhor me mande um e-mail com suas idéias, para que eu não me esqueça de nada,” adaptando seu truque característico para disfarçar a surdez à ocasião especifica “e logo que eu tiver um estudo pronto, eu o aviso”.

Conforme o previsto, o email, nunca chegou; já o estudo ficou pronto rapidamente, e este – apesar de não conter nada daquilo que fora solicitado, nem mesmo a cobertura retrátil que o Cliente Analfabeto insistia em chamar de “teto solar” – era magnífico.
Não se sabe se por vergonha de nunca ter enviado o email, ou porque aquele era o prédio mais bonito que ele já havia visto – mais até do que “aquele que os árabes fizeram que nem um barquinho” – o Cliente não soube recusar, e as obras iniciaram na semana seguinte.

“Eu devia ter lhe escutado, meu caro”, disse o Arquiteto Surdo caminhando pela calçada no dia da inauguração. “Imagine... Eu é que fiquei de lhe mandar o email!” respondeu o feliz Cliente Analfabeto. A imagem dos caminhões de verdura descarregando no lobby daquele colosso de mármore e vidro não incomodava em nada; afinal, seu Sacolão anterior era péssimo, e ele mal podia esperar para ver a cara do fiscal da vigilância sanitária.

Já o arquiteto, prostrado diante do resultado, só pensava na humilhação pública que se anunciava, e de como ele poderia ter deixado de notar que aquela foto do Ceasa recebida não tratava de forma, mas de conteúdo.

A crítica arquitetônica foi implacável. A obra, sucesso mundial. Certificado LEED Gold, e destaque nos congressos acadêmicos sobre sustentabilidade. Aclamado mais uma vez, o Arquiteto Surdo, cachimbo em punho, admirava seu Pritzker na estante quando um outro Cliente passou reto pelo não perturbe e lhe mostrando uma revista com fotos da obra. A revista estava de ponta cabeça. E o arquiteto disse “Não é incrível o que os Mudejares conseguem fazer com um tijolo? Vou lhe contar...”




|
Comments:



Quarta-feira, Julho 07, 2010


O Pol Pot da Arquitetura



Sim, você já percebeu, esse é mais um lazy post, mas é último, meus caros, porque enfim terei um fôlego no escritório, ufa.



*Pelo menos uma razão para ter dó dos holandeses. Sério, isso me da dó.


*Minha casa, minha vida. E se Ray Kappe não faz seu estilo, tem uma usonian a venda também.


*Tudo o que eu sempre achei do Corbusier urbanista, e a idade ainda não me fez mudar de idéia.


*Um projeto nosso na edição de aniversário da PROJETO, em fevereiro passado. Sorry.


*E agora, uma razão para não ter dó dos holandeses.


*A invasão nazista na união soviética, desenhada ao vivo, na areia, em 8 minutos. Sério.


*Cool guys don’t look at explosions.






|
Comments:



Quinta-feira, Junho 24, 2010


- Dial K for... Konfusion



Algo na Copa do Mundo me fez lembrar do episódio envolvendo isso:





Alguém mais lembra?

Cartas para a redação, valendo um chopp no Balcão.

Fácil hein.





|
Comments:



Segunda-feira, Junho 07, 2010


8 House - BIG

8H - The 8-House from BIG on Vimeo.



Sério, um dia eu vou apresentar projeto assim...

o resto da matéria, aqui no archdaily

PS: O vídeo é longo, mas vale a pena




|
Comments:



Sexta-feira, Maio 28, 2010






Se é possível mesmo ancorar algumas bóias de referência na perfect storm cultural que o mundo se tornou, talvez seja caso de lançar a primeira deste século e declará-la artisticamente completa. LOST acabou. 24 Horas acabou.

Melhor série política da TV desde West Wing, – fazendo pó dos clichês democratas e republicanos – 24 horas é também, como sabem, ação em tempo real. Mais precisamente, é ação em fluxo contínuo, um carro sem freios que só faz acelerar, desviando – e às vezes dando umas raladas – em cenários que se provaram ao longo do tempo nada menos que proféticos:

A série elegeu um negro em 2003, no auge da aprovação de Bush; torturou e matou inimigos antes da guerra do Iraque; mostrou os limites da boa vontade chinesa e terminou sentando seu Ahmadinejad fictício na mesa da ONU para discutir enriquecimento de Urânio. Em resumo, acertou mais que a CNN esse tempo todo.

Esse conteúdo, apresentado na forma tradicional, já seria bastante interessante. Mas a forma narrativa criada para essa história a inseriu em um universo diferente, onde tudo é urgente – principalmente porque sempre se perde muito tempo com incompetência, canalhice e covardia. Os beeps do relógio que abrem e terminam cada episódio martelam sadicamente o tempo em nossas cabeças, nos mantendo no estado permanente em que Jack Bauer se encontra: cada segundo que passa não volta mais, um passo a mais na prancha.

Em 24 horas, não há tempo para tentar antecipar o que vai acontecer: já está acontecendo. Assim, somos levados a nos ocupar permanentemente com a melhor forma de usar o pouco tempo que (nos) resta.

Do outro lado do mundo – entendam como quiser – há uma outra ilha que não é a cronometrada Manhattan, e há um outro Jack que não é o resoluto Bauer a tentar salvá-la.

Mas ele não é o protagonista, é apenas um deles. Outros 15 dividiram com ele a experiência de viver nessa ilha, mas não se pode dizer que foi exatamente uma divisão. Em um mercado em que personagens bem sucedidos saem das histórias originais para ter sua própria série, não seria demais dizer que cada um deles mereceria a sua. Exceto pelo fato de que eles tiveram já a sua própria série.


E aí está a outra grande novidade da arte narrativa dessa década. O grande mistério de LOST sempre foi saber em que realidade estávamos - no tempo e no espaço. Enquanto os limites físicos e temporais definiam os parâmetros do que acontecia com Jack Bauer, sempre foi difícil afirmar aonde e quando exatamente estava Jack Shepard.


Todos os mistérios apresentados pela narrativa – o que é a ilha, de onde vinham o comportamento e as intenções dos personagens, poderiam muito bem ter sido apresentadas de uma forma tradicional. Mas é uma ilha em modo shuffle, no tempo e no espaço, e nada mais justo do que contar a história assim também.



A narrativa desdenha da linearidade temporal tanto quanto a ilha, tanto quanto a própria história. Em LOST descobre-se que é possível se contar uma estória – ou melhor, quinze – sem que elas necessariamente tenham um lugar e um tempo exato para acontecer.


A angústia da urgência de 24 horas em LOST é substituída pela angústia da desorientação temporal. Enquanto tentamos acompanhar ambas as estórias, as forma narrativas tentam amplificar infinitamente o que está sendo contado, como uma forma de nos inserir profundamente na pele dos personagens.


Se isso não é arte, eu não sei o que é. Os finais foram decepcionantes? Decepcionante é que séries assim um dia tenham que acabar. Que venham os próximos Jacks. E para quem não as acompanhou, que tenham a chance de enfim chegar a este século.


O que é urgente – a não ser que você possa voltar no tempo.



*

*

*

*

*

Sim, eu sei que é offtopic, mas aqui não tem Jacob.






|
Comments:



Quarta-feira, Maio 26, 2010


Frase de twitter:

"Dotô, as luminária imbutidas eu já pus tudo.. mas eu tô com dúvida é nas exbutidas!!"




|
Comments:



 
BlogRating
eXTReMe Tracker